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A SER em SI enfrenta essas questões a partir da reflexão sobre o processo de superação do cio da fêmea que, até o matriarcado, era a referência concreta da mulher. E é exatamente o início do processo de superação do cio que dá origem ao início da construção da sociedade patriarcal, cuja evolução se faz com uma progressiva negação da referência sexual feminina e concomitante supervalorização da referência masculina. Enfrentar essa questão é bater de frente com todo o saber produzido e acumulado pelo patriarcalismo.
Mas como também o processo de evolução patriarcal não é monolítico, fomos buscar na sabedoria popular alguma luz para essa questão.
A sabedoria popular sempre procurou respeitar a natureza, não só a ambiental, mas principalmente a humana. E, talvez por isso, o seu conceito de matéria nunca tenha deixado de contemplar a dimensão da energia.
Finalmente sua noção foi referendada pela ciência mais avançada ao reconceituar a matéria como uma relação entre massa e energia.
É, pois, na sabedoria popular que iremos encontrar as bases para a compreensão das questões relativas à relação entre sexualidade e energia.
Sua linguagem e suas práticas oferecem muitas pistas. Pistas que nos levam a concluir que ela muito já avançou na compreensão da energia contida na matéria constitutiva do ser humano, o principal objeto de nossa reflexão.
Essa energia é a matéria prima das demais (orgânica, perceptiva,motora, cognitiva, intelectiva, afetiva e espiritual) e ponte com as outras dimensões energéticas, tanto as materiais quanto as imateriais. É ela, portanto, a base material para a construção dos nossos sistemas de hábitos e valores. O desconhecimento a seu respeito, em especial sobre o seu caráter ambivalente, tem nos levado a um progressivo processo de confusão entre alívio e prazer, entre vício e virtude. Sua compreensão se torna, pois, condição necessária para um real amadurecimento dos indivíduos e para a construção de uma sociedade mais humana.
Por isso a SER em SI mantém um centro de estudos da energia material humana – CPOD-CE e se propõe a implementar os movimentos de afirmação da sabedoria popular – MASP – e da referência feminina – MARF.

